sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Exercícios de Português X

TEXTO 1

Nordeste: mito e realidade

De modo geral, quase todos os problemas do Nordeste são atribuídos às adversidades climáticas, à ausência ou à escassez das chuvas. É comum ouvirmos dizer que as secas assolam, maltratam os nordestinos. Mas será que é isso mesmo o que acontece? Ou será que é só isso mesmo?

Não se podem negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca. Quando ela ocorre, o sertanejo observa, impotente, sua lavoura morrer, seu gado minguar, os pequenos rios secarem, ocasião em que sua “tragédia” é exibida para todo o Brasil e até mesmo para outros países pelos meios de comunicação. Os poderes públicos, então, se manifestam anunciando, nos mesmos órgãos de imprensa, medidas que serão tomadas para combater a seca, projetos que serão executados a médio e longo prazos e a liberação de verbas que serão destinadas à distribuição de alimentos, água, remédios etc.

A cada nova catástrofe, a cada nova “calamidade pública” esse procedimento se repete. Mas essas medidas não solucionam o problema. Na próxima seca prolongada, tudo será igual ou pior, dependendo da sua intensidade e duração.

Acontece que os fenômenos naturais – que ocorrem independentemente da vontade dos homens – não justificam todo o peso que lhes é atribuído. A seca existe, sim. A pobreza no Nordeste, também. No entanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre seca e pobreza.

Os problemas do Nordeste não se resumem à seca, fator tão divulgado e explorado, graças ao interesse de uma minoria preocupada apenas em tirar proveito de uma situação “aparentemente” criada pela natureza.

Para entendermos a problemática da região, é preciso que deixemos de lado as aparências e investiguemos as reais causas que produziram e produzem um Nordeste tão pobre, tão maltratado e com tantas injustiças e desigualdades sociais.

Ao colocarmos a seca como sua causa principal, estaremos deixando de lado as inegáveis vantagens econômicas e políticas que ela traz para alguns setores e estaremos reduzindo à mera fatalidade climática o subdesenvolvimento e a opressão.

A seca apenas acentua uma situação de injustiça historicamente criada.
(Yná Andrighetti. Nordeste: mito e realidade. São Paulo: Moderna, 1998, pp. 7-10. Adaptado.)


01. Considerando as ideias expressas no Texto 1, podemos reconhecer que se trata:

A) de uma narrativa em que se conta a história das secas do Nordeste, com seus cenários e personagens.
B) de uma descrição das condições climáticas do Nordeste e dos efeitos sociais e econômicos causados pelas secas prolongadas.
C) de uma reflexão pela qual se põe em dúvida a explicação que costuma ser dada para os problemas do Nordeste.
D) de uma exposição didática, para apresentar as principais medidas que serão tomadas pelo Governo para combater a seca.
E) de um texto para orientação dos projetos que serão executados, a médio e longo prazos, em favor do Nordeste.


02. Pela compreensão global do texto, pode-se perceber que a argumentação do autor, a certa altura do texto, assume uma direção contrária. Isso fica evidente na alternativa:

A) “De modo geral, quase todos os problemas do Nordeste são atribuídos às adversidades climáticas, à ausência ou à escassez das chuvas”.
B) “A cada nova catástrofe, a cada nova ‘calamidade pública’ esse procedimento se repete.”
C) “Na próxima seca prolongada, tudo será igual ou pior, dependendo da sua intensidade e duração”.
D) “A seca existe, sim. A pobreza no Nordeste, também. No entanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre seca e pobreza”.
E) “Para entendermos a problemática da região, é preciso que deixemos de lado as aparências”.


03. De acordo com o texto, a justificativa maior para os problemas sociais e econômicos do Nordeste encontra-se:

A) nas secas que regularmente castigam a região e provocam a morte das lavouras.
B) nas muitas adversidades climáticas que acontecem periodicamente.
C) nas inegáveis vantagens econômicas e políticas que a seca traz para alguns setores.
D) nos meios de comunicação que somente se manifestam durante as calamidades.
E) na rede fluvial da região, que é pequena e não atende à demanda da agropecuária.


04. Observe: “A cada nova catástrofe, a cada nova ‘calamidade pública’ esse procedimento se repete”. A repetição do segmento sublinhado expressa uma função textual de:

A) correção.
B) contraste.
C) paráfrase.
D) ênfase.
E) reformulação.


05. Os usos formais da língua ditam certas normas para a concordância entre o verbo e o sujeito. Identifique a alternativa que está de acordo com essas normas.

A) Qual das grandes secas do Nordeste não deixaram grandes marcas de destruição?
B) Cada um dos grandes rios do Nordeste poderiam suprir a escassez de água necessária à lavoura.
C) Nenhuma das grandes secas do Nordeste pode ser apontada como a causa principal de suas dificuldades econômicas.
D) Além da falta de chuva, foi constatado vários tipos de problemas no Nordeste.
E) O resultado das últimas grandes secas deixaram grandes prejuízos sociais e econômicos.


06. Leia o trecho seguinte: “O Nordeste, em decorrência das estiagens prolongadas a que tem sido submetido, apresenta grandes problemas econômicos e sociais.”

Observe o emprego da preposição antes do pronome relativo – que se deve à regência do verbo. Na mesma perspectiva, analise os enunciados seguintes e assinale aquele que também está correto quanto às normas da regência verbal.

A) O Nordeste, apesar das estiagens prolongadas de que têm sido atribuídas, apresenta grandes projetos de superação.
B) O Nordeste, apesar das secas – das quais têm resultado grandes problemas econômicos – crê nas possibilidades de superação.
C) O Nordeste, por causa das secas – a cujas soluções não se pode abrir mão – ainda sofre sérias discriminações.
D) O Nordeste, por causa das secas – as quais a imprensa tem feito referências constantes – espera por melhores soluções.
E) O Nordeste, por causa das políticas assistenciais – as quais não podemos confiar – viveu grandes problemas.


07. Observe a colocação pronominal no seguinte fragmento: “Não se pode negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca.” O uso do pronome também estaria correto na alternativa:

A) Não poderiam-se negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca.
B) Poderiam-se negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca.
C) Tinham podido-se negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca.
D) Ninguém poderia negar-se a reconhecer os efeitos econômicos causados pela seca.
E) Os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca, um dia, poderão-se negar.


08. O texto fala em: “inegáveis vantagens”. O prefixo que aparece na palavra sublinhada tem o mesmo sentido daqueles que aparecem em:

A) inefável; inapto; incremento.
B) inábil; injetável; ineficaz.
C) inflamável, imberbe, incrustado.
D) ímprobo, inalação, inglório.
E) indubitável, inepto, incruento.


09. O verbo, no seguinte trecho, está na voz passiva: Muitos problemas do Nordeste foram provocados pelos interesses de uma minoria corrupta. Caso o autor tivesse optado pela voz ativa, deveria escrever:

A) Os interesses de uma minoria corrupta provocam muitos problemas do Nordeste.
B) Os interesses de uma minoria corrupta provocavam muitos problemas do Nordeste.
C) Os interesses de uma minoria corrupta provocaram muitos problemas do Nordeste.
D) Os interesses de uma minoria corrupta provocariam muitos problemas do Nordeste.
E) Os interesses de uma minoria corrupta provocarão muitos problemas do Nordeste.


10. Pelo título do texto – Nordeste: mito e realidade – já se pode inferir que o tema será tratado numa perspectiva:

A) monolítica.
B) hipotética.
C) unilateral.
D) lúdica.
E) divergente.


TEXTO 2

Sotaques da resistência

A TV e o rádio bem que forçam, o preconceito regional não dá folga, mas a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção. Quem garante são os especialistas em linguagem. O falar brasileiro sofre, é verdade, a pressão imposta pelas normas prestigiadas do idioma, de caráter conservador e uniforme. A expansão dos meios de comunicação de massa, sabe-se, atua a favor de uma unidade linguística, com programas de TV (algumas novelas, por exemplo), que suprimem as nuances autênticas dos falantes e compõem “personagens regionais”, com um modo de falar que pretende ser “típico” mas acaba por ser irreal.

Os linguistas avaliam, no entanto, que nem a força da mídia nem o prestígio do padrão idiomático têm sido capazes de conter a diversidade do falar brasileiro. Apesar de reforçar preconceitos e distorcer dialetos regionais, a mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos falares nacionais.

Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz parte do imaginário de nossa identidade nacional. Mas até que ponto resiste essa unidade linguística brasileira? É certo que o português falado no Norte seja compreendido no Sudeste, mas a diversidade de sotaques mostra que, se falamos o mesmo idioma, nós o falamos diferentemente.

De onde vêm essas diferenças? Historicamente, as variações de pronúncia, entonação e ritmo observadas no Brasil espelham a expansão heterogênea do português desde a colonização do país. Tupi-guarani, iorubá, banto, castelhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos idiomas que influenciaram a variação existente no português daqui. Herdeiros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, teríamos herdado também o juízo de valor sobre a linguagem. Muitas maneiras de falar seriam estigmatizadas ou discriminadas por denunciar procedência social e nível cultural do falante.

É assim que, muitas vezes, o falar alheio causa estranhamento ou é considerado “inferior”, “feio”, “pior”.

Na verdade, muita pesquisa precisa ser feita antes que se possa dizer algo de definitivo sobre os diferentes falares do Brasil.
(Isadora Marques. Revista Língua Portuguesa. Junho de 2007, pp. 22-28. Adaptado).


11. O tema desenvolvido no Texto 2 gira em torno da seguinte questão:

A) A língua que se fala no Brasil, dada a sua heterogeneidade, corre risco de extinção.
B) O prestígio do padrão idiomático brasileiro tem sido cada vez mais atuante.
C) As dimensões continentais de nosso território afetam nossa identidade nacional.
D) A diversidade do falar brasileiro é, por muitas razões, uma realidade inabalável.
E) A mídia tem um grande papel na manutenção do padrão idiomático de prestígio.


12. Outro título que confirmaria a totalidade do Texto 2 seria:

A) A homogeneidade dos dialetos regionais brasileiros.
B) O estranhamento do falar brasileiro considerado “inferior”, “feio”, “pior”.
C) Uma única norma linguística num território de dimensões continentais.
D) Frustradas as pressões a favor da uniformidade do português falado no Brasil.
E) A expansão linguística no período da colonização portuguesa.


13. De acordo com o Texto 2, podemos afirmar que as línguas:

A) são autônomas em relação às influências de outras línguas.
B) devem objetivar a homogeneidade, para não serem discriminadas.
C) estão expostas a fatores históricos que repercutem sobre elas.
D) tendem a ser “piores”, ou “mais feias” em decorrência de suas variações.
E) se faladas num território de dimensões continentais, sofrem risco de extinção.


14. Releia o início do texto: “A TV e o rádio bem que forçam, o preconceito regional não dá folga, mas a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção. Quem garante são os especialistas em linguagem”. Na verdade, o que é que os especialistas em linguagem garantem?

1) Existem preconceitos regionais em atuação.
2) A TV e o rádio têm sido fortes aliados.
3) A variedade de sotaques não vai acabar.
4) A TV e o rádio reforçam os preconceitos.

Está(ão) correta(s):

A) 1 apenas
B) 3 apenas
C) 2 e 3 apenas
D) 1, 2 e 4 apenas
E) 1, 2, 3 e 4

15. Pode-se reconhecer um sentido de causalidade no seguinte fragmento:

A) “a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção”.
B) “Mas até que ponto resiste essa unidade linguística brasileira?”
C) “Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz parte do imaginário de nossa identidade nacional”.
D) “Herdeiros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, teríamos herdado também o juízo de valor sobre a linguagem”.
E) “a diversidade de sotaques mostra que, se falamos o mesmo idioma, nós o falamos diferentemente”.


16. Observe a pontuação do trecho: “Tupi-guarani, iorubá, banto, castelhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos idiomas que influenciaram a variação existente no português daqui”. As vírgulas desse trecho devem-se ao fato de que se trata:

A) de uma explicação.
B) de uma paráfrase.
C) de uma reformulação.
D) de uma enumeração.
E) de uma justificativa.


17. No fragmento seguinte: “Apesar de reforçar preconceitos e distorcer dialetos regionais, a mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos falares nacionais”, a locução sublinhada expressa um sentido de:

A) concessão.
B) conclusão.
C) causalidade.
D) finalidade.
E) condição.


18. A propósito da concordância verbo-nominal no seguinte trecho: “Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos foi deixada pelos colonizadores”, podemos afirmar que também seria correto dizer:

1) Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos foram deixada pelos colonizadores.
2) Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos foram deixadas pelos colonizadores.
3) Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos foi deixadas pelos colonizador.

Está(ão) correta(s):

A) 1, 2, 3
B) 1 apenas
C) 2 apenas
D) 3 apenas
E) 1 e 2 apenas


19. Observe a concordância do verbo ‘haver’ em: Há muitas maneiras de falar que são estigmatizadas ou discriminadas. De acordo com as regras da normapadrão, o verbo haver adota uma concordância especial. Identifique, dentre as alternativas abaixo, aquela que está correta, de acordo com tais regras.

A) Segundo a história, no período da colonização, haviam muitas línguas em contato.
B) Devido à pluralidade linguística da colônia, houveram muitos choques culturais entre os falantes.
C) Devem haver choques culturais entre os falantes desde que haja diferenças em contato.
D) Se houvessem menos diferenças culturais, o português seria hoje mais homogêneo.
E) Em algumas comunidades, as diferenças linguísticas haviam sido incorporadas aos padrões gerais.


20. Do ponto de vista da sintaxe do português, está bem formado o seguinte enunciado:

A) A variedade de sotaques brasileiros estão longe de correr risco de extinção.
B) A força de tantos meios sociais não conseguiu conter a diversidade do falar brasileiro.
C) De onde veio tantas diferenças linguísticas?
D) A mídia não chega à produzir uma homogeneidade nos falares nacionais.
E) As variações de pronúncia e entonação espelha a heterogeneidade do português.


Gabarito

01.C; 02.D; 03.C; 04.D; 05.C; 06.B; 07.D; 08.E; 09.C; 10.E; 11.D; 12.D; 13.C; 14.B; 15.D; 16.D; 17.A; 18.C; 19.E; 20.B

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